19 janeiro, 2009

Capítulo Primeiro

A Partida



Taurus caminhava incansável com o bebê em seus braços. Anões podem caminhar muitas milhas. Ele não entendia o porquê de estar fugindo com um neném humano. Não entendia ainda, pois sabia que viria a entender. Confiava nos desígnios de sua mestra, nos deuses e no destino. Com seu cenho resoluto, suas sobrancelhas grossas, sempre em frente, ele caminhava. Os passos já davam sinais de cansaço. Ele costeava a floresta sempre em direção ao oeste. Não tinha rumo certo. Para quem não sabe para onde vai, todos os caminhos são serventia. Sua barba era a única coisa impecável em seu corpo. Estava sujo, suado, sangue e fuligem manchavam suas botas marrons e enegreciam sua cota de malha. A espada, na bainha, serviria, no máximo, como um porrete, fendida que estava, e já sem corte. Para trás, ao longe, uma coluna de chamas e fumaça alaranjava o céu vespertino. Uma cidade ruía sob as labaredas da guerra. Sacrifícios, ele pensava, apenas sacrifícios. Em um passo rápido e sutil, se uniu às árvores e caminhou em meio à mata, mas não se afastou muito da estrada. Jogou sua pesada bolsa no chão e sentou-se sentindo um alívio nos nervos. Era hora de dormir. Ao longe, os lobos sentiam o faro de carne humana...

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