Jantar
Taurus sentia-se realmente dividido. Sua prioridade era proteger a criança, que começou a chorar atiçando a fome dos lobos. Sua sabedoria dizia que o ideal seria não haver derramamento de sangue, para que ele tocasse a verdadeira vitória. No entanto, a espada sem corte em sua mão parecia vibrar em uníssono com o coração do guerreiro, pedindo sangue e uma luta sem leis. Ele esperou. Os animais não tiveram coragem de atacá-lo, mas tampouco partiram. O choro da criança ficou mais alto, chamando a atenção de outras criaturas da noite. Ele viu que teria que lutar, mas pensou em uma estratégia para se ver livre dos animais tirando, já que o contrário não parecia possível, o mínimo de vidas o possível, mantendo a salvo o filhote humano. Lentamente o anão fitou cada um dos cães do inferno, da direita para a esquerda. Eles estavam selvagens e famintos. O primeiro tinha uma mancha branca na cabeça. O segundo era cinza. O terceiro era o mais esguio... A cabeça do anão movia-se lentamente, juntamente com seu corpo, como um único eixo, sem causar nenhuma perturbação. Ele observou um por um dos animais, até que se deteve no terceiro da esquerda para a direita. O maior deles. Taurus cerrou os olhos e abaixou lentamente a cabeça. Sua barba ruiva e espessa balançou de leve com um vento que soprou. A matilha rosnou mais alto, em conjunto, ameaçando avançar. O anão dobrou os joelhos e então, em um movimento rápido, vacilou a perna direita, escorregando um pouco para frente. O alfa atacou. Sua estratégia funcionara. Foram segundos. O animal saltou sobre o anão, que com um único e violento golpe, quebrou e quase decepou por completo o pescoço do lobo líder, utilizando a espada sem fio. O segundo maior avançou, e, ato contínuo, Taurus cortou sua face com a adaga que estava em bom estado. Os seis animais recuaram, com o novo alfa já ferido. O anão recuperou sua postura resoluta anterior, que havia paralisado a matilha. Os lobos recuaram de frente para o inimigo, adentraram na penumbra e fugiram largando o corpo do antigo líder, latindo, ganindo e uivando. O anão se recompôs. Guardava em um odre um resto de leite de vaca. Deu para a criança e a embalou com o braço esquerdo, mas sem largar a espada. A neném silenciou brincando com os adornos da barba de seu guardião. O anão viu o lobo sangrando no chão. Seu estômago roncou...

Um comentário:
cada vez mais intrigante.
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